Na vibe da "Geração Y"

Atualmente, tenho visto um movimento amplo de matérias sobre estudos recentes que apontam que pessoas nascidas entre os anos de 1978 e 1990 fazem parte da chamada “geração Y” - caracterizada por jovens antenados, velozes, espertos e ousados, que chegam e dominam o espaço por onde circulam. Uma geração que tem ânsia de aprender, que é questionadora e está sempre pronta a assumir atividades multifuncionais.

Entretanto, o que me chama a atenção no assunto – e, por isso, o escolhi como tema deste artigo -, é o fato dessa geração também ser marcada por aquela que despreza a hierarquia e, acima de tudo, ao contrário do que se verificava anos atrás, ela adora trabalhar em equipe e se comunicar diretamente com as altas lideranças, na esperança de ser envolvida nas decisões que a afeta, para assim subir os degraus da empresa mais rapidamente. Obviamente, são imediatistas, ansiosos e fidelidade coorporativa não é algo que faz parte do seu repertório.

Em geral, a “geração Y” não espera permanecer no emprego ou na carreira atual por muito tempo. Para se ter uma idéia, um estudo da consultoria americana Rainmaker Thinking revelou que 56% dos profissionais “Y” esperam ser promovidos em um ano.

Essa nova forma de comportamento pode provocar certo embate corporativo. Afinal, no topo das organizações, em geral, ainda estão pessoas que foram educadas em outro contexto, outras prioridades e pilares profissionais diferentes.

Portanto, para essa geração, buscar empresas que estão atentas a essa mudança será fundamental para uma carreira de sucesso. Algumas delas, inclusive, já vêm se preparando para falar a linguagem do novo jovem.

Um bom exemplo é o caso da Johnson & Johnson, que está reformulando sua cultura, de maneira que se adeque às novas aspirações do pessoal que chega a seus programas de trainees - que, aliás, passou de um ano de duração para três. Nesse período, os jovens selecionados para o cargo são treinados, monitorados e avaliados individual e constantemente. Passam por diversos departamentos e participam de vários projetos, além de contar com sessões de coaching e aulas de filosofia para reflexão sobre seus valores e anseios em relação à empresa na qual trabalham.

As organizações preocupadas com seus funcionários e com a imagem perante as sociedades nas quais se relacionam ainda transformam os próprios trainees em seus embaixadores no meio acadêmico. Isso é feito através de um acompanhamento de gestores que avaliam e elaboram orientações para que continuem crescendo, melhorem seu desempenho ou revejam suas metas, com a acreditação necessária para o colaborador naquele momento tão importante de sua carreira.

O cuidado especial na observação dos indivíduos no seu dia-a-dia de trabalho visa entender seus anseios e decidir em quais projetos alocá-los, de acordo com as propostas de melhor performance para ele e para os negócios da empresa.

Tamanha a importância dada pelas organizações a esse tema, que boa parte das lideranças já vem sendo ocupada pela geração Y, com o substancial de trabalho criativo e inovador que esses trabalhadores podem agregar.

Andréa Kuzuyama - Gerente de Recursos Humanos da V2
Clube da Calcinha

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